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Terra plana e as fake news científicas


Quem nunca ouviu falar da Terra Plana? Aquela ideia conspiratória de que o planeta Terra não seria uma esfera ou um globo, mas sim plana como uma panqueca, cercada por todos os lados por uma parede de gelo. Em tempos de definição de ministérios, a terra plana foi um tema recorrente entre amantes da astronomia como um exemplo do que evitar na defesa da educação e da ciência no país.

Pode parecer uma brincadeira (de mau gosto, ainda por cima), mas ideias como a Terra Plana representam uma séria ameaça ao desenvolvimento científico e tecnológico. Pesquisadores e divulgadores de todo o mundo debatem o problema, assim como as soluções e as possíveis implicações do crescimento das fake news científicas.

O que é importante para ser um cientista?


Como debater (combater?) a Terra Plana?

Antes de mais nada, é importante entender que fenômenos como o “terraplanismo” existem associados a outros tipos de viés ideológico. A crença na terra plana não representa a falta de acesso à informação; muito pelo contrário, um estudo recente liderado por Caitlin Drummond, da Universidade Carnegie Mellon nos Estados Unidos, mostrou que a crença em tópicos científicos considerados polêmicos era fortemente dependente do viés ideológico de cada um. Por exemplo, para indivíduos conservadores, quanto maior a sua escolaridade, mais resistiam às teorias do Big Bang e da Evolução.

É interessante notar que outra pesquisa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência mostrou, em 2015, que os brasileiros acreditam mais em cientistas do que médicos — ou que políticos, o que não é surpreendente. Mas com o crescimento da crença em pseudociência ainda parece haver espaço para o negacionismo científico.

O negacionismo pode ser tóxico. Ao contrário de crenças religiosas, por exemplo, terraplanistas contestam diretamente o discurso de cientistas, afirmando que “a NASA mente”. Acredito que a NASA é a escolhida devido ao seu status popular, tendo em vista que todos os cientistas no planeta afirmam o mesmo.

No final, devido ao viés ideológico, é impossível discutir evidências. Qualquer prova em contrário do modelo pseudocientífico será tomada como uma mentira, e no final o diálogo só serve para legitimar o debate como se fosse algo científico.

Não, o importante é educar a população sobre como funciona o método científico. O grande poder da ciência é o de prever fenômenos no futuro, a partir do estudo e compreensão da natureza.

Quer um exemplo? Eclipses. Em 2017, milhões de norte-americanos se reuniram para observar o eclipse total do Sol. Sabíamos o minuto exato em que o eclipse aconteceria em cada cidade nos Estados Unidos, porque entendemos o movimento dos corpos celestes e podemos prever tais acontecimentos.

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A valorização da ciência

O grande dano que ideias como a Terra Plana podem causar é o de afastar a população da ciência. A ciência oferece um pensamento crítico sobre o mundo ao nosso redor, e promover a ciência significa fornecer à sociedade as ferramentas para tomar decisões fundamentadas.

E se você ainda acha que isso não tem tanta importância, e que a Terra Plana é um problema inocente, tome então como exemplo os movimentos anti-vacinação e os recentes surtos de sarampo nos Estados Unidos. Ou até mesmo as políticas públicas internacionais de combate ao aquecimento global.

As evidências científicas estão aí, e é fundamental que pesquisadores e sociedade trabalhem em conjunto por um futuro melhor.

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