AO VIVO:

Carregando

Carregando

Carregando

Sem ligar o piloto automático, Nação acende 'Radiola' no fogo brando do pop

Pode ser que o primeiro álbum de repertório alheio gravado pela Nação Zumbi seja lançamento estratégico para a banda pernambucana ganhar tempo na produção de cancioneiro autoral para um próximo álbum de inéditas. Mas o fato é que Radiola NZ Vol. 1 (Babel Sunset) chega ao mercado fonográfico com nove regravações que mostram um grupo ainda em ebulição.

Basta ouvir o registro luminoso de Do nothing (Lynval Golding, 1980) – música do segundo álbum da banda inglesa de ska The Specials – para captar o frescor do grupo do Recife (PE) ao se banhar na praia do reggae com o apelo pop já evidenciado no último álbum do quinteto, Nação Zumbi (2014), lançado há três anos.

Contudo, é reducionista carimbar o rótulo de pop na Radiola NZ. A playlist da banda tem universo musical mais amplo. O inebriante toque enevoado da guitarra de Lúcio Maia na abordagem de Tomorrow never knows (John Lennon e Paul McCartney, 1966) – petardo psicodélico disparado por Revolver (1966), sétimo álbum do grupo inglês The Beatles – comprova que a Nação Zumbi foi além do cover, tendo se recusado a acionar o piloto automático ao ligar as múltiplas referências musicais sintonizadas por Radiola NZ.

É claro que nem tudo toca bem. A maciez do canto do vocalista Jorge Du Peixe se revela incapaz de expor toda a sensualidade soul de Sexual healing (Marvin Gaye, Odell Brown e David Ritz, 1982), último grande sucesso mundial do cantor e compositor norte-americano Marvin Gaye (1939 – 1982). Em contrapartida, o mix dos tambores da Nação com os metais da baiana Orkestra Rumpilezz na releitura de Refazenda (Gilberto Gil, 1975) harmoniza dois universos musicais em gravação por si só antológica dessa canção-título de disco zen da obra plural de Gilberto Gil.

Música do segundo álbum do grupo Secos & Molhados, gravada com a voz de Ney Matogrosso, Amor (João Ricardo e João Apolinário, 1974) reverbera pulsante, mostrando tudo o que o show do cantor com a banda no festival Rock in Rio poderia ter sido, mas não foi por desajustes vocais provocados, inclusive, por questões técnicas. Já Ashes to ashes(David Bowie, 1980) se distancia da gravação original do cantor e compositor inglês David Bowie (1947 – 2016) em registro redimido pela sonoridade extraída do toque da guitarra de Lúcio Maia, mais sobressalente na Radiola NZ do que os tambores percutidos por Toca Ogam, Tom Rocha, Gustavo da Lua e o baterista Pupillo.

O baticum soa mais marcante em Balanço (1973), reminiscência do suingue soul/funk de um Tim Maia (1942 – 1998) quase esquecido. A propósito, a abordagem funky do rock Não há dinheiro que pague(Renato Barros, 1968) evidencia a largura do baixo de Dengue. E por falar em rock, Dois animais na selva suja da rua (Taiguara, 1971) roda fluente na Radiola NZ , mostrando a influência no mangue do som de Erasmo Carlos (presente no repertório de forma indireta, assim como o parceiro Roberto Carlos).

Enfim, como explicita na capa do álbum, a Nação Zumbi acende a radiola de clássicos. E o faz com eficiência, no fogo brando da música pop. 

  • COMPARTILHE
VEJA TAMBÉM

ENVIE SUA MENSAGEM

Peça sua música ou mande um recado para os locutores