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'Saltimbancos Trapalhões' tem volta de Didi e Dedé: 'Modernizamos tudo'


Foi  logo depois de assistir o musical 'Os saltimbancos trapalhões', de Charles Möeller e Cláudio Botelho, que o diretor João Daniel Tikhomiroff teve uma ideia: por que não trazer aquela história circense, apresentada nas telas pelos trapalhões em 1981, de volta ao cinema? Ele correu até os bastidores do teatro e fez a proposta a Renato Aragão, que ficou surpreso, mas não demorou a aceitar. Dessa forma, 36 anos depois da versão original dirigida por JB Tanko - adaptação da peça com trilha de Chico Buarque -, os saltimbancos estão de volta. "Os saltimbancos trapalhões - Rumo a Hollywood" estreia nesta quinta-feira (19)."É bom deixar claro que esta não é uma refilmagem, uma repetição do original - nós fizemos um novo filme. As músicas são as mesmas, é claro, mas a trama é outra, mais atualizada. Nós modernizamos tudo e o resultado ficou bem interessante", diz Renato Aragão ao G1, em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Em comum com o original, está o fato de os protagonistas trabalharem em um circo prestes a encerrar as atividades por motivos financeiros. Eles precisam criar uma forma de atrair o público de volta ao espetáculo. Mas, a partir daí, a trama toma outros rumos.

"A história é a revolução dos bichos, novamente, só que dos bichos que não estão no circo. Eles se comunicam com o Didi por meio de sonhos e dizem a ele que, para salvar o picadeiro, a trupe tem que cantar e dançar caracterizada como animais. Fizemos as alterações necessárias para entregar um filme novo, mas mantendo a essência e os sentimentos do saltimbancos original", explicou Tikhomiroff.

Desde na "Na onda do iê-iê-iê", de 1965 - marco inicial da carreira de Renato Aragão no cinema -, os filmes dos Trapalhões já divertiu mais de 120 milhões de pessoas, marca que nem de longe consegue ser igualada por outros artistas nacionais. Mesmo com bilheterias invejáveis, as criações do grupo nem sempre foram bem recebidas pela crítica.

"É engraçado. A crítica torcia o nariz para muitos dos nossos lançamentos, mas abraçou os saltimbancos. É uma obra muito especial, mesmo", relembra Renato Aragão. Com esta produção, ele chega ao seu 50º longa. "Acho que criamos algo diferente quando lançamos aquele filme".

Desde o início, a intenção do diretor era fazer com que "Os saltimbancos trapalhões - Rumo a Hollywood" fosse feito a partir de uma abordagem semelhante à dos musicais hollywoodianos. Por conta disso, os atores não foram dublados nos números musicais - tiveram que cantar mesmo.

É o caso de Letícia Colin - protagonista da trama, ela interpreta o papel de Karina, antes vivida por Lucinha Lins. É dela a responsabilidade de defender "História de uma gata", uma das mais conhecidas do filme ao lado de "Piruetas".

"Quando soube que estava sendo considerada para o papel, a primeira coisa que fiz foi ligar para a Lucinha para avisar e pedir algumas dicas. E ela ficou muito animada, torceu para que eu fosse escalada, o que aconteceu. Foi uma responsabilidade grande. Espero ter feito um trabalho tão bom quanto o que ela fez no primeiro filme", conta Letícia. O elenco tem também Marcos Frota, Alinne Moraes, Roberto Guilherme, Livian Aragão, Nelson Dantas, Maria Clara Gueiros, Rafael Vitti, Marcos Veras e Emílio Dantas.

Para Dedé Santana, pisar mais uma vez no picadeiro despertou sensações bem fortes. Segundo ele, é tudo questão de genética. "Sou a oitava geração circense da minha família. Nasci e cresci sob uma lona e boa parte do que aprendi na vida veio dali e do convívio com artistas de circo. Já havia me realizado quando fizemos os saltimbancos em 1981. Nunca poderia imaginar que teria a sorte de reviver esse sonho, de voltar às minhas raízes em um filme", explica Dedé.

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