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'Não estou em guerra com ninguém', diz general chileno em resposta a Piñera

Depois do presidente chileno Sebastián Piñera declarar na noite de domingo (20) que o governo “está em guerra contra um inimigo poderoso” em meio à maior onda de protestos desde a redemocratização do país, o chefe da Defesa Nacional, general Javier Iturriaga, responsável pela implementação do estado de emergência declarada na noite de sexta-feira (18), afirmou que “não está em guerra com ninguém”.

Após mais uma noite de toque de recolher, a segunda consecutiva, Iturriaga disse que a cidade está amanhecendo de forma “lenta e pacífica”. 'Peço aos veículos de imprensa que transmitam tranquilidade à população, que vá trabalhar, que realize suas atividades normais'.

Algumas estações de metrô voltaram a ser abertas nesta segunda-feira (21), com longas filas e atrasos consideráveis. Algumas linhas de ônibus também estão nas ruas e poucas lojas estão com as portas abertas, especialmente as de pequeno porte. Grandes redes varejistas seguem  fechadas, com medo de novos atos de vandalismo.

O general Iturriaga também criticou a formação de grupos civis para defender propriedades. Eles estariam atuando ao lado de policiais e agentes de segurança, mesmo após a decretação do toque de recolher. 'Claro que não queremos que a população se defenda por conta própria. Nós somos os responsáveis por dar essa proteção e estamos levando adiante todos os esforços para chegar a todos os cantos da cidade', afirmou Iturriaga, antes de reconhecer que os cerca de 2.700 homens disponíveis são “insuficientes” para atuar em toda a região metropolitana.

As declarações contrastam com o discurso de Piñera na noite deste domingo, que ao lado do próprio Iturriaga e do ministro da Defesa, Alberto Espina, disse que o governo “está em guerra”. 'Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, disposto a usar a violência sem nenhum limite', afirmou. '[Esse inimigo] está disposto a queimar hospitais, metrô, supermercados, com o único propósito de causar o maior dano possível'.

O presidente da Câmara dos Deputados, Iván Flores, evitou usar termos bélicos, defendendo uma união nacional e diálogo. 'Não cabem aqui pequenas disputas nem pequenos interesses políticos. O que cabe é a busca de uma sintonia entre os poderes de Estado e a comunidade civil, para que possamos sair da crise', afirmou, defendendo ainda respostas “estruturais” do governo.

Já o presidente do Senado, Jaime Quintana, disse que todo o meio político tem uma parcela de culpa. 'Foi um conjunto de questões acumuladas durante muito tempo e, por isso, o mundo político deve assumir a responsabilidade sobre como chegamos a essa situação'.

Por sua vez, o ex-presidente e senador Ricardo Lagos , de oposição e que não estava no encontro, afirmou que esse tipo de declaração do presidente “não ajuda”. 'Presidente Sebastián Piñera, não assuste os cidadãos! Não estamos em guerra. Enfrentamos uma crise política, mal manejada pelo governo, cujo pano de fundo é a desigualdade'.

Estado de emergência

Os protestos contra o aumento nos preços da passagem do metrô saíram de controle na última sexta-feira, com destruição generalizada, especialmente de ônibus e terminais de transportes urbanos, e confrontos entre manifestantes e a polícia. Em resposta, na madrugada de sábado, ainda com as ruas em chamas, o presidente Sebastián Piñera decretou estado de emergência , medida que geralmente era usada em situações de catástrofe natural, como terremotos, mas que pela primeira vez desde a redemocratização era invocada para lidar com distúrbios sociais.

Após a decisão, inicialmente válida apenas para a capital mas depois aplicada em todo o país, os militares assumiram o controle de ações de segurança, ao lado da polícia, o que recebeu pesadas críticas da oposição, como da ex-candidata à presidência Beatriz Sánchez — para ela, o governo havia “renunciado à democracia”.

No mesmo sábado, o governo decidiu suspender o aumento das passagens, estopim dos protestos. Pouco depois, ele anunciou um toque de recolher na região metropolitana de Santiago, onde vivem 7 milhões de pessoas, o que não impediu novos confrontos e atos de vandalismo, como o ataque à sede do jornal El Mercúrio de Valparaíso .

Mais tarde, medida foi aplicada também em Valparaíso e Concepción, duas cidades que também enfrentam protestos e atos de violência. Apesar da proibição, milhares de chilenos seguiram nas ruas durante a madrugada em atos majoritariamente pacíficos.

Nesta segunda-feira, o sindicato de trabalhadores da mina de cobre de Escondida, no norte do país, anunciou que irá paralisar suas operaçoes na terça-feira, para demonstrar solidariedade aos protestos. Segundo o presidente do sindicato, Patricio Tapia, a medida é ' um alerta ' às autoridades. Na véspera do anúncio, o ministro da Mineração, Baldo Prokurica, afirmou que o setor estava 'funcionando normalmente'.


Onze mortos

Pouco antes da “declaração de guerra” do presidente, no domingo foram registrados cerca de 70 atos de violência, com mais de 150 detidos. Até agora, estima-se que mais de 1500 pessoas tenham sido presas ao redor do país desde a semana passada.

Nesta segunda-feira, a intendência da região metropolitana de Santiago confirmou a morte de 11 pessoas nos últimos três dias, alguns deles faleceram em incêndios, como em uma loja de materiais de construção no domingo, onde foram encontrados dois corpos carbonizados. O local havia sido saqueado pouco antes, e não se sabe se as vítimas eram trabalhadores ou faziam parte do ataque.

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