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Mesmo trabalhando e estudando mais, mulheres ganham 42,7% menos que homens

Apesar de apresentarem melhor desempenho na educação e terem maior expectativa de vida no Brasil, a renda das mulheres brasileiras é 42,7% menor que a dos homens. Essa é uma das principais conclusões apresentadas no Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado nesta sexta-feira (14).

Ao apresentar o novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil e do restante do mundo, o órgão destacou a desigualdade de gênero na taxa que considera o acesso da população à educação, saúde e perspectivas econômicas. O relatório demonstrou que enquanto a renda das mulheres é, em média, de US$ 10.073, a dos homens é de US$ 17.566.

Na média, a renda nacional bruta (RNB), dimensionada sempre em dólares, até subiu de US$ 13.730 para US$ 13.755, mas ainda não chegou perto do valor mais alto já registrado pelo Pnud, em 2015, quando a RNB ficou em US$ 14.350. A média é puxada para baixo porque, como se sabe, existem mais mulheres do que homens compondo a população brasileira.

O fato econômico, porém, é apenas um dos que faz o IDH entre homens e mulheres apresentar desigualdade acentuada. Segundo o levantamento, numa escala de 0 a 1, onde quanto mais próximo de 1 maior é o desenvolvimento humano, o IDH dos homens brasileiros ficou em 0,761 e o das mulheres em 0,755.

Apesar da renda das mulheres ser menor, elas trabalham, estudam e vivem mais

O relatório do Pnud também demonstrou que a expectativa de vida das brasileiras é maior que a dos brasileiros. Enquanto elas vivem 79,3 anos, os homens vivem 72,1, ou seja, uma mulher vive, em média, 7,2 anos a mais do que um homem contemporâneo a ela no Brasil. Na média, a expectativa de vida dos brasileiros de forma geral passou de 75,5 anos em 2016 para 75,7 anos agora, um crescimento muito discreto.

A diferença no quesito educação, por sua vez, também chama atenção. Enquanto a projeção de uma menina que entra na escola em idade regular é de que ela deverá permanecer estudando por 15,9 anos e ter uma média de estudo de 8 anos, de um menino que faça o mesmo, a expectativa é que estude por 14,9 anos e uma média de estudos de 7,7 anos.

Dessa forma, é a segunda vez consecutiva que o Brasil não apresenta melhora na média da expectativa dos anos de escolaridade dos cidadãos (15,4 desde 2015). Já a média de anos de estudo do brasileiro também se manteve a mesma do levantamento anterior: 7,8.

Lembrando que a 'média de anos de estudo' representa o tempo de educação que pessoas de 25 anos ou mais têm no país – isto é, um indicador que é mais impactado pelas gerações anteriores. Já os “anos esperados de escolaridade” indicam a expectativa de estudo de uma criança que ingressa hoje no sistema de ensino. Ou seja, o brasileiro que se matricula atualmente numa escola deverá estudar, em média, 15,4 anos.

Diante disso, o Brasil mostrou uma desigualdade de gênero maior do que países vizinhos como Uruguai, Venezuela e Argentina que mantém padrões mais equitativos entre homens e mulheres apesar de também sustentarem uma disparidade econômica por gênero de quase 50% entre a renda de um e de outro como mostra a imagem acima.

Dupla jornada também atrapalha renda das mulheres

Isso explica-se, em parte, por conta da dupla jornada que muitas mulheres precisam fazer. Um dos dados divulgados pelo Pnud aponta que o Brasil é o país da região onde há menor divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres.

De acordo com o levantamento, elas gastam 13,3% do tempo em atividades não remuneradas dentro de casa com trabalhos domésticos e cuidados da casa e da família, enquanto os homens gastam apenas 3,1% do tempo deles, ou seja, mulheres gastam 4,3 mais tempo em afazeres domésticos do que homens, em média, no Brasil.

Nessa comparação, o Brasil novamente fica atrás de seus vizinhos já que no Chile as mulheres gastam 2,2 vezes mais do seu tempo nessas tarefas do que os homens; na Argentina: 2,5; no Uruguai: 2,4; e no Paraguai: 3,4.

Dessa forma, apesar do indicador colocar o Brasil no melhor grupo de 1 a 5 no Índice de Desigualdade de Gênero, por conta das mulheres apresentarem desempenho melhor em relação à expectativa de vida e educação, o País ocupa apenas a 94ª posição num ranking de 160 países com um índice de 0,407 numa escala de 0 a 1 onde, ao contrário do IDH, zero representa o melhor resultado (desigualdade 0).

O relatório, no entanto, faz a ressalva de que esse número ainda pode ser maior, considerando a subnotificação, neste levantamento, do tempo disposto para cuidar de filhos, idosos e familiares doentes.

Da mesma forma, um levantamento recente do IBGE indicou que a porcentagem de homens que estão dedicando mais tempo aos afazeres domésticos cresceu entre os anos de 2016 e 2017, mas ainda há uma grande diferença entre a participação feminina e masculina nas tarefas. De acordo com essa pesquisa, 92,6% das mulheres se dedicam a alguma atividade doméstica, enquanto a marca dos homens é de 78,7%.

O estudo do IBGE ainda constatou que a proporção de horas dedicadas a afazeres domésticos das mulheres é de 20,9 horas semanais, em média. A dos homens é de 10,8 horas, praticamente metade do tempo.

Renda das mulheres também é prejudicada pelo desemprego

Outro fator que ajuda a explicar a desigualdade de gênero em relação a diferença na renda das mulheres e dos homens é a situação mais precária dos empregos que elas ocupam. Isso porque, além de terem dificuldades na contratação mesmo, como já vimos, estudando por mais tempo, as mulheres também são as primeiras a perder o emprego em cenários de crise como o atual.

Segundo os dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, no segundo trimestre de 2018 o Brasil contava com 13 milhões de desempregados, uma parte dos 27,6 milhões de trabalhadores sub-utilizados . O índice, porém, é pior entre os jovens, as mulheres e o negros.

No recorte por gênero, dos 13 milhões de desempregados no Brasil, 51% são mulheres e 49% são homens. Um percentual que reflete a distribuição de gênero entre a população em idade de trabalhar (52,4% x 47,6%), mas não reflete exatamente a quantidade de pessoas que de fato estão trabalhando ou procurando emprego, já que as mulheres ainda não foram completamente integradas ao mercado de trabalho na maior parte do País.

Isso pode ser constatado porque entre o grupo das pessoas empregadas predominaram os homens. Nesse quesito eles são 56,3% do total quando reunidas todas as regiões do Brasil, mas chegam a até 60,2% na região Norte.

Dessa forma, o nível de ocupação dos homens foi de 63,6% enquanto o das mulheres foi de 44,8%. Enquanto a região Norte novamente mostrou a maior diferença entre os gêneros (22,6 pontos percentuais), a região Sudeste demonstrou a menor (18 p.p.), ainda assim, muito grande.

Tudo isso reflete também na taxa de desemprego que, se na média foi de 12,4%, entre as mulheres foi maior (14,2%), e menor entre os homens (11%), demonstrando que elas têm mais dificuldade de encontrar emprego e se manter empregadas do que eles no Brasil.

A taxa de desemprego na análise por sexo também mostra que elas são as mais afetadas pelo desemprego. A taxa para os homens foi de 11%, abaixo da taxa geral, enquanto a das mulheres ficou em 14,2%.

Além disso, em ano de eleição no Brasil, além da desigualdade de renda das mulheres em relação a dos homens, dos anos de estudo e da expectativa de vida, o relatório do Pnud também chamou atenção para a participação política, onde as mulheres ocupam apenas 11,3% das cadeiras do Congresso Nacional, isso enquanto representam mais de 50% da população brasileira. O número representa o pior resultado da América do Sul e o terceiro pior da América Latina, atrás somente de Belize (11,1%) e das Ilhas Marshall (9,1%). O país com menor IDH do mundo, Níger, tem mais mulheres com assento no Parlamento (17%) do que o Brasil. 

*Com informações da Agência Brasil

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