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Especialistas questionam modelo atual de Previdência no Senado

O Senado deu início  nesta terça-feira (10) às  discussões sobre a reforma da Previdência. O texto, que já passou pela Câmara dos Deputados,  foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)  na semana passada e aguarda contagem de prazo para ser votado pelo plenário da Casa.

Convidados a participar do debate, especialistas destacaram a importância da proposta para equilibrar as contas públicas.

Segundo o economista José Márcio Camargo, o Brasil é o sétimo país mais jovem do mundo e em 20 anos, será o sétimo mais idoso

O problema é que o gasto com aposentadoria e assistência social equivale a 14% do Produto Interno  Bruto (PIB), sendo que apenas 9,5% da população  brasileira tem 65 anos de idade ou mais e 25% têm 15 anos ou menos.

Senado terá semana de negociações para votar reforma da Previdência

Mantido o teto do gasto público, destacou o economista, dentro de 20 anos, 100% do gasto será com pagamento de aposentadoria e assistência social.

'Significa que não vai ter dinheiro para mais nada', disse Camargo, acrescentando que 'o sistema atual prioriza idosos em detrimento de adolescentes e crianças', declarou.

Segundo o economista, entre 2001 e 2018, o déficit da previdência dos servidores públicos superou em 50% os gastos com educação. Somando o regime de aposentadoria dos trabalhadores do setor privado, o déficit representou o dobro dos investimentos em educação.

Para o especialista Paulo Tafner, o texto da reforma resolve o problema do passado, mas 'esqueceu' do futuro.

Segundo ele, diante da mudança no perfil demográfico da população brasileira, que passa por um rápido processo de envelhecimento, o sistema atual de repartição 'não pára de pé'. O modelo atual é o de repartição em que os trabalhadores ativos ajudam a pagar os inativos.

'Temos que começar a pensar  um sistema que venha substituir o atual', destacou Tafner.

A equipe econômica tentou incluir na reforma da Previdência o regime de capitalização, mas foi derrotada ainda na Câmara dos Deputados. Por este modelo, os trabalhadores contribuem para a própria aposentadoria. 

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