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E o Nobel vai para… a Astronomia!

Parabéns aos astrônomos que venceram o Prêmio Nobel de Física de 2019!

Esse ano o prêmio foi dividido entre o físico canadense-estadunidense James Peebles e os suíços Michel Mayor e Didier Queloz. A diferença não é apenas geográfica; são dois trabalhos em campos bem diferentes, cada um importante à sua maneira.


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Um nobel para a Cosmologia

Na metade do século, já sabíamos que o universo estava em expansão. No entanto, ainda não sabíamos como essa expansão acontecia. O astrônomo Fred Hoyle, por exemplo, defendia o modelo de um universo eterno, crescendo aos poucos sem um início definido.

Outros cientistas defendiam um universo que teria começado com temperatura e densidade altíssimas, como se fosse uma grande explosão cósmica. O próprio Hoyle ironizou a ideia, chamando esse modelo de “Big Bang”.

Desde a década de 40 alguns pesquisadores já vinham trabalhando a ideia do Big Bang, prevendo ondas de rádio remanescentes dessa “explosão”, que viriam a ser chamadas de Radiação Cósmica de Fundo, ou CMB na sigla em inglês.

Na década de 60, então, um grupo de pesquisadores composto por Robert Dicke, David Wilkinson e James Peebles refinou o modelo, fez previsões precisas, e começou a pensar em uma antena de rádio que pudesse detectar as tais ondas.

No entanto, foram Arno Penzias e Robert Wilson que, num golpe de sorte, descobriram o CMB. Construíram uma antena muito sensível, mas nem estavam buscando as tais ondas de rádio. Sem querer, confirmaram o Big Bang.

Pela descoberta, ganharam o Nobel de 1978. Sempre achei estranho que todo o trabalho teórico tivesse sido ignorado, e talvez seja uma forma de justiça que Peebles receba o prêmio hoje.

Seu trabalho foi fundamental na construção do que chamamos hoje de Cosmologia Observacional. Os modelos sugeridos por ele e seus colegas produziam previsões precisas do que poderíamos observar, e dessa forma hoje podemos compreender em detalhes a composição do Universo.

Graças ao estudo do CMB, hoje sabemos que 26% do Universo são compostos por matéria escura, e 69% são de energia escura, duas substâncias até agora desconhecidas. Apenas 5% são feitas da matéria “comum”, feita de átomos e moléculas que compreendemos.

No entanto, os feitos de Peebles vão muito além. Ao longo dos vários anos de carreira, contribuiu para o entendimento de como estruturas se formaram no universo, do formato de galáxias. É autor de livros que são referência na área. Sem dúvida é um dos cientistas mais respeitados na área, e o prêmio é mais que merecido.


Leia mais: A galáxia de Andrômeda cresce devorando seus vizinhos


Um Nobel para exoplanetas

Didier e Queloz, por outro lado, levam o prêmio por seu estudo de exoplanetas.

O primeiro planeta descoberto ao orbitar uma estrela que não fosse o Sol foi encontrado ao redor de um pulsar, um tipo especial de estrela de nêutrons, por Aleksander Wolszczan e Dale Frail, em 1992.

Didier e Queloz, por outro lado, foram os primeiros a detectar um planeta orbitando uma estrela semelhante ao Sol, em 1995. A estrela era 51 Pegasi, a 50 anos-luz de distância.

Eles conseguiram isso não vendo o planeta diretamente, mas o movimento sutil da estrela causado pelo movimento do próprio planeta. Batizado à época de 51 Pegasi b, hoje leva o nome oficial de Dimidium.

Na descoberta, uma surpresa: o planeta, com metade da massa de Júpiter, estava muito mais próximo da estrela do que a distância de Mercúrio ao Sol. Ele orbita a estrela a cada 4 dias! Era uma nova classe de planetas, os “júpiteres quentes”, assim chamados por serem grandes e quentes devido à proximidade da estrela.

A descoberta revolucionou nosso entendimento sobre a formação de sistemas planetários. Seria muito difícil que um júpiter quente se formasse tão próximo à estrela, e atualmente acreditamos que esse tipo de planeta deve nascer a distâncias maiores e gradativamente migrar para a parte interna do sistema.

Hoje são mais de 4000 exoplanetas conhecidos. É uma das áreas mais ativas da pesquisa astronômica, e nosso entendimento da formação de planetas progrediu enormemente nos últimos 20 anos.


 


Um Nobel para mulheres?

Aqui deixo uma breve reflexão: onde estão as mulheres? Num ano de Nobel para a Astronomia, vale lembrar o trabalho de Vera Rubin, uma das grandes responsáveis pela descoberta da matéria escura. Cotada para ganhar o prêmio algumas vezes, ela faleceu em 2016, não sendo mais elegível.

De 212 vencedores do Nobel de Física, apenas 3 são mulheres. Será que isso representa a contribuição feminina no campo? Ou o comitê deveria repensar sua forma de avaliação?


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